domingo, 16 de abril de 2017

Minha lagrima é paz
É a seiva que escorre do galho recém cortado

Minha lágrima é doce
É o vento que sopra das montanhas numa tarde de outono

Minha casa é de água
É a ribanceira que desbarranca no rio depois de uma tarde de poesia

Minha lágrima esvai em versos de uma língua quase esquecida

Quem saberá explicá-lá?
Quem poderá escolhê-la em meio a tantas certezas sabidas
Em meio a tantas partes abandonadas?

Minha lágrima cai distante
No caldo de velhas cantigas

Ela é sua, é sua só
Quem me escuta, quem me entende
Quem se lembra

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Meu amor
Minha flor
Rosa perfumada de ser

Minha pérola brilhante
Seu olhar me traz paz
Calma, amor
Seu brilho, líquido em luz

Olha, se dessa vez for amor
Claro, leve, rápido e preciso

Olhe aqui, olha lá
No fio da navalha
Vale cem pra lá
Vem pra cá

Onda vem, cintilante, onda calma
Sol, paz, luz clara
Onde for pra ser
Minha casa, paz
será

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

satisfação

tenho sede e tenho água
para beber
tenho fome e tenho
comida para comer

tenho razões reais
para agradecer

poucas coisas dizem tanto
em tão poucas palavras

tantas coisas se inventam
se desejam, se atraem e se repelem
esse mundo é uma ilusão

tenho água e tenho comida
água pura
comida limpa, boa

não preciso de muito mais
amor
também é aproveitar as coisas boas que a natureza nos dá

domingo, 7 de agosto de 2016

Fui na onda

fui na onda fui
disperso
acreditando estar imerso
me vi nu
na rebordosa

xis na vida
vento em prosa
dei na trela
riba e guela
gela o pinto na varanda
quem viu pouco
certo é cego

xote manso me levou
ribanceira arrematou
caí feito marreco
em dia de loteria

deram falta
noutro dia na alvorada
sem nem galo
sem nem nada
vida farta de galinha
cacareco, xico-xico
foi na prova da barriga
que levaram
as minhas xitas

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

sabe quando?

sabe quando o vento parece que parou de soprar?
quando a terra parece que parou de brotar?
- sei
quando a vela acabou de queimar?
ou quando a gente esquece do mar?
- sei
sabe quando as pedras parecem dormir e roncar?
quando a chuva é interminável?
- sei
- sei quando o tempo parece que não existe mais
quando a face se escondeu e parece que ri da gente na escuridão...
- sei de tudo isso e ainda mais
por que você não assume logo, de uma vez, não encara levantar e esquecer de toda essa lenga-lenga?
- quando for a hora, assumirei
eu e tu você e eu.
Nós no embalo da noite, cavalgando a doída estrada da vida
por que tanto tem que pisar?

segunda-feira, 25 de julho de 2016

amor
claro onde vento
alto
calmo
alento
casa de onde não sei se sai
alma da pedra
mineral
alimento

domingo, 8 de maio de 2016

movimento

como construir, da dor, o amor?
como elevar o passo?
como esquecer o passado?
como superar o infortúnio das desilusões?
como se ver livre, se ver novo?
como renascer de um ventre que apenas se deixou?
como?
como se ver livre, sob o vento?
como encontrar de novo alento, mesmo sendo?
como construir uma ponte em movimento?
rebento... nascimento...
a cara que a terra nos deu e nosso lançamento...
como?